Endometriose 23+ Principais Perguntas e Respostas sobre a Doença

Praticamente 30% dos casos de infertilidade feminina estão ligados à endometriose


Infelizmente a endometriose é muito mais frequente do que se imagina. Aproximadamente 10% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos são afetadas pela doença. O que mais assusta em relação a doença é que ela é uma das principais causas de infertilidade feminina.

Justamente por isso precisamos falar sobre ela.

Saiba Tudo sobre a Endometriose

Endometriose

Com ajuda da Associação Brasileira de Endometriose e do Ambulatório de Endometriose e Dor Pélvica Crônica da UFMG vamos tentar neste post trazer as melhores informações sobre a doença para te ajudar a compreender melhor esta doença.

O que é a Endometriose?

Trata-se de uma doença que se desenvolve quando o tecido de revestimento do útero (endométrio) cresce em outras regiões do nosso organismo, tais como ovários, tubas uterinas, intestinos, bexiga e até mesmo pulmões.
Durante a menstruação, a descamação das células endometriais do útero causa o sangramento que se exterioriza pela vagina. As células uterinas localizadas fora do útero também se descamam no período menstrual causando sangramentos para dentro dos órgãos onde se encontram. Isso leva à manifestação dos sintomas da doença chamada pelos médicos de “endometriose”.

Quem pode ter endometriose?

É uma doença da mulher em idade reprodutiva, isto é, da mulher que menstrua. A média de idade das mulheres à época do diagnóstico é de 25 a 30 anos. Aproximadamente 10% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos são afetadas pela doença.

Causas da Endometriose

Até hoje, várias teorias científicas foram elaboradas para tentar decifrar porque a doença se desenvolve, mas nenhuma delas foi suficiente para explicar todos os casos da doença. Acredita-se que múltiplas causas se combinem para gerar a doença, havendo interação de fatores mecânicos, genéticos, imunológicos, endócrinos e ambientais. É possível que diferentes formas de endometriose tenham causas distintas.
São teorias possíveis para as causas:
  • A menstruação retrógrada: menstruação com descamação de células do útero para dentro do corpo, atingindo trompas e ovários, ao invés de para fora do organismo pela vagina.
  • A disseminação linfática: células endometriais caindo na circulação linfática atingiriam diferentes órgãos do corpo.
  • A metaplasia celômica: sob estímulo hormonal algumas células predispostas poderiam modificar suas características e seu comportamento dando origem aos implantes endometriais.
  • Os resquícios embrionários: resquícios de tecido do período embrionário se desenvolvem após receber estímulo.

Como a ela se desenvolve?

O tecido endometrial uma vez fora do útero tem a capacidade de implantar e proliferar, aumentando a quantidade de células e o tamanho das lesões de endometriose. A disseminação do endométrio pode se dar por proximidade acometendo tecidos e órgãos pélvicos ou pela corrente sanguínea atingindo órgãos fora da pelve.

Quais os Sintomas da Endometriose?

Muitas vezes, o diagnóstico da endometriose é um desafio para o médico, pois os sintomas podem ser bastante inespecíficos, o que leva a atraso no diagnóstico. Em 25% dos casos não está presente qualquer sintoma da doença. Na maioria das pacientes, porém, a doença apresenta sintomas que podem comprometer bastante a qualidade de vida da mulher.

Sintomas mais comuns:

  • Dismenorréia (cólica mesntrual)
  • Infertilidade (ausência de graidez após um ano de realções sexuais sem método contraceptivo)
  • Dispareunia (dor durante o ato sexual)
  • Dor pélvica crônica (deverá ser caracterizada com EVA)

Sintomas menos comuns:

  • Disquezia (dor durante a evacuação)
  • Diarréia
  • Constipação intermitente (prisão de ventre)
  • Dor abdominal cíclica
  • Disúria (dor para urinar)
  • Hematúria (sangue na urina)

Conheça os sintomas mais detalhadamente:

  • Dor: a dor pélvica crônica (dor com mais de seis meses de duração) é um dos aspectos mais frequentes na endometriose e costuma ser mais intensa no período pré-menstrual e menstrual. Não está relacionada à gravidade da doença, mas sim à localização dos implantes endometriais. Pode ocorrer melhora espontânea, mesmo sem qualquer tratamento, mas atenção: isso não significa que a doença parou de progredir. Em outras mulheres, a dor tem caráter progressivo com piora do sintoma ao longo de sua evolução. Quando existem aderências entre o tecido endometrial anômalo e os órgãos abominais ou pélvicos (os órgãos estão aderidos ou colados uns aos outros), como bexiga e intestinos, algumas mulheres podem sentir dores durante ou após as relações sexuais.
  • Sangramento anormal: não raramente se encontra queixas de sangramentos ginecológicos anormais na endometriose. Essas mulheres podem apresentar período menstrual irregular, de duração aumentada e/ou fluxo intenso. Podem ainda ocorrer “spottings”, isto é pequenos sangramentos durante a fase não-menstrual do ciclo hormonal feminino. Outros tipos anormais de sangramento, porém bem menos frequentes, são os que se percebem na urina, nas fezes e/ou no escarro de algumas pacientes que possuem a bexiga, os intestinos e/ou os pulmões comprometidos pela doença.
  • Infertilidade: não está cientificamente bem estabelecida a relação entre endometriose e infertilidade (ausência de gravidez após um de relações sexuais sem uso de qualquer método contraceptivo). Sabe-se que muitas mulheres recebem o diagnóstico da doença durante investigação médica por dificuldade para engravidar. Dentre as mulheres que apresentam infertilidade, a prevalência da endometriose é de 15% e, portanto, elevada quando comparada a taxa da população feminina em geral, que gira em torno de 10%. Vários são os possíveis motivos para que a doença em questão diminua a fertilidade da mulher, dentre eles citamos: obstrução das trompas uterinas, comprometimento do transporte de espermatozoides até o óvulo, prejuízo da ovulação e dificuldades de implantação do embrião no útero. Entretanto, nem toda mulher com a doença é infértil, mas nas inférteis até 50% pode ter infertilidade.
  • Diarreia ou prisão de ventre: quando ocorre acometimento intestinal pela endometriose pode haver sintomas dolorosos à evacuação, bem como sangramento presente nas fezes e constipação intestinal (prisão de ventre). Menos comumente encontra-se queixa de diarreia. Mudança do hábito intestinal durante o período menstrual ou dor para evacuar que surge no período menstrual também sugerem acometimento intestinal em mulheres com endometriose.
  • Sintomas depressivos e ansiosos: por conta das fortes e constantes dores pélvicas, bem como das dores durante relações sexuais, a endometriose pode levar a significativa redução da qualidade de vida da mulher, interferindo na realização de suas atividades no trabalho, na escola, em casa e no lazer.
  • Durante a gravidez: Durante a gravidez os sintomas da endometriose tendem a melhorar a partir do segundo trimestre. Acredita-se que os hormônios da gravidez e os baixos níveis de estrogênio desse período sejam responsáveis pela involução ou estabilização da doença. Não há, contudo, como prever o que ocorrerá com a gestante, pois algumas mulheres têm regressão dos sintomas que perdura após a gravidez, enquanto outras permanecem apresentando franca progressão da doença
  • Após a menopausa: é infrequente. Eles podem retornar, porém, se for iniciada terapia de reposição hormonal. O retorno da doença espontaneamente é incomum.

Como saber se eu tenho Endometriose?

Mulheres com sintomas sugestivos de endometriose como cólica menstrual forte, dor na relação sexual, infertilidade, dor ao defecar ou ao urinar e sangramento na urina ou nas fezes devem suspeitar da doença.

Caso você tenha estes sintomas, o primeiro passo é consultar com um médico ginecologista que vai avaliar a possibilidade da doença com história clínica e exame físico e solicitar os exames necessários para complementar o diagnóstico.

Se a suspeita clinica ou os exames mostrarem lesões sugestivas de endometriose o diagnóstico e bastante provável. A confirmação da doença é feita com a videolaparoscopia com visualização das lesões e com a biópsia mostrando endométrio nas lesões retiradas.

Como é feito o diagnóstico da endometriose?

O diagnóstico da endometriose é feito através da presença dos sintomas da doença, de achados no exame físico (principalmente no toque vaginal) e da presença de lesões suspeitas nos exames de imagem.

Os principais exames complementares utilizados são a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética. Outros exames como a ultrassonografia transretal, a colonoscopia, a cistoscopia e urografia excretora podem ser solicitados em algumas situações.

Tem Cura? Quais os Tratamentos?

A endometriose é considerada uma doença crônica, portanto, sem cura definitiva. Entretanto, os tratamentos com cirurgia ou medicamentos específicos podem permitir uma melhor qualidade de vida às portadoras da doença.

Os principais objetivos do tratamento da doença são o alívio da dor e a obtenção de gravidez naquelas que a desejam e a prevenção do retorno da doença. A modalidade terapêutica pode incluir o uso de medicamentos, a realização de cirurgias ou a combinação de ambos.

O tratamento medicamentoso baseia-se na redução ou bloqueio da  menstruação. Quando realizado tratamento medicamentoso, várias drogas são opções possíveis, dentre elas: anticoncepcionais orais combinados com baixa dosagem de estrogênios, anticoncepcionais progestínicos orais ou injetáveis, análogos de GnRH, Danazol e Mirena® (DIU-medicado). Os sintomas da endometriose costumam retornar após a suspensão dos medicamentos. Exclusivamente para alívio da dor pode-se também lançar mão dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINES).

Em alguns casos, por sua vez, o tratamento cirúrgico é indicado, especialmente quando se visa à manutenção da fertilidade. Podem então ser usados: exérese, drenagem com ablação, ressecção da parede do cisto e a própria laparoscopia diagnóstica. Tais procedimentos, entretanto, nem sempre são necessários, podendo-se também lançar mão das técnicas de reprodução assistida, da inseminação intrauterina ou da fertilização in vitro.

Sugere-se ainda a realização de atividades físicas diárias, o uso de compressas mornas, técnicas de relaxamento e a conversa com outras mulheres que sofrem do mesmo problema para dividir experiências. Todas essas alternativas podem melhorar os sintomas e diminuir a angústia associada à doença fazendo parte do tratamento da endometriose.

Cirurgia de Endometriose

A cirurgia preferencialmente por videolaparoscopia ainda é a principal forma de tratamento da endometriose. A retirada das lesões e a das aderências permitem uma melhora da qualidade de vida com diminuição ou extinção da dor e retorno a fertilidade em grande parte das mulheres com a doença. Entretanto, em algumas situações a cirurgia não está indicada. O principal motivo para indicação da cirurgia é a presença de  sintomas de dor e a infertilidade. Mulheres pouco sintomáticas, com diagnóstico já firmado de endometriose, sem lesões importantes com risco iminente de perda de função de algum órgão, podem se beneficiar do tratamento clínico ao invés da cirurgia.

Como é feita a videolaparoscopia?

É uma cirurgia minimamente invasiva, feita por meio de pequenos cortes na altura do umbigo e em baixo ventre, mas isso vai depender da localização dos focos das lesões da endometriose. A anestesia usada é geral. A paciente fica internada de 24 a 48 horas e a recuperação total se dá em torno de 15 dias após o procedimento.

As lesões de endometriose podem reaparecer após a cirurgia?

A recorrência das lesões e dos sintomas da endometriose pode ocorrer em 30 a 50% dos casos até dois anos após a cirurgia. Cirurgias incompletas em que não foi possível a retirada de todas das lesões favorecem a recidiva precoce dos sintomas e de novas lesões.

Outras Dúvidas sobre a Doença

Precisa de mais informações? Aqui estão outras perguntas e respostas frequentes sobre a doença:

  • A endometriose é hereditária?
Estudos com mulheres gêmeas demonstraram que dentre os fatores de risco para endometriose o caráter hereditário está presente em 51% dos casos. Vários genes podem estar alterados em mulheres com endometriose por isso a doença é considerada poligênica. A presença de casos de endometriose na família é um fator de risco para o desenvolvimento da doença.
  • Toda mulher que tem cólica menstrual tem endometriose?
A cólica menstrual ou dismenorréia é um sintoma comum a várias outras doenças ginecológicas além da endometriose.  Ela pode estar presente nos casos de miomas uterinos, adenomiose, pólipos endometriais, mal-formações útero-vaginais, uso de DIU de cobre.  Algumas mulheres podem apresentar cólicas menstruais no inicio das menstruações sem que seja diagnosticada nenhuma doença especifica que leve a este sintoma. Neste caso temos o diagnóstico de dismenorréia primária.
  • Mulheres que não tem cólicas podem ter endometriose?
Alguns estudos mostraram que cerca de 5% a 16% das mulheres férteis e assintomáticas podem apresentar lesões de endometriose pélvica. Nestes casos, as lesões geralmente são pequenas e superficiais, classificadas como endometriose mínima ou leve.
  • Porque ela leva a infertilidade?
A associação de endometriose e infertilidade já é observada há muitos anos. Estudos prévios demonstraram que as mulheres com endometriose tem uma taxa de fecundidade (chance de engravidar por mês de exposição) bem menor que mulheres sem endometriose. Sabemos que entre 50% a 70% das mulheres com a doença tem infertilidade e que cerca de 40% das mulheres com infertilidade tem a doença.
  • Mulheres com endometriose tem chance de engravidar?
Cerca de 50% das mulheres com a doença podem engravidar espontaneamente sem tratamento. Grande parte das pacientes com infertilidade pela endometriose podem engravidar após tratamento adequado. O tratamento clinico habitualmente usado nos casos de endometriose com hormônios e anticoncepcionais não estão indicados para tratamento da infertilidade. A cirurgia por videolaparoscopia com retirada das lesões de endometriose e das aderências pode aumentar as chances de gestação espontânea em mulheres com a doença em todos os estágios. Em outros casos pode ser necessário a realização de tratamentos com técnicas de reprodução assistida como a inseminação intra-uterina ou a fertilização in vitro (bebê de proveta).
  • A endometriose é um câncer ou pode se transformar em um?
 Apesar de poder atingir vários órgãos distintos e se disseminar localmente ou à distância a endometriose é uma doença benigna. Até o momento nenhum estudo conseguiu mostrar um relação importante entre a endometriose e o câncer ou uma evolução da doença para uma doença maligna.
  • O que é o endometrioma?
 O endometrioma o nome que se dá a lesão de endometriose profunda em forma de cistos de endometriose nos ovários. Os endometriomas são cistos preenchidos por sangue escuro envelhecido e por tecido endometrial. Eles podem acometer um ou ambos os ovários ao mesmo tempo. O tamanho dos endometriomas pode variar de lesões pequenas (1-3cm) até lesões grandes (acima de 6-7cm). A presença de endometriomas grandes é uma indicação importante de tratamento cirúrgico.
  • O que é endometriose profunda?
É definida pela presença de lesões de endometriose com mais de 5mm (0,5cm) de profundidade. Em geral, estas lesões aparecem na forma de nódulos e podem acometer qualquer órgão da pelve, em especial os ligamentos útero-sacros, vagina, intestino e bexiga.
  • A retirada do útero resolve a doença?
 A retirada do útero, apesar de eliminar a menstruação, não resolve a endometriose. As lesões continuam ou podem reaparecer mesmo sem a presença do útero. Os ovários continuam a produzir o estrogênio, hormônio que estimula a proliferação do tecido endometrial.
  • Ela desaparece após a menopausa?
Após a menopausa os ovários já não produzem mais o estrogênio, com isso o endométrio ectópico (endometriose) não é mais estimulado e tende a não proliferar. A menstruação também desaparece após a menopausa. Por isso, os sintomas da doença podem diminuir ou desaparecer. Em muito casos, após a menopausa não há mais necessidade de tratamento.
Importante: Na dúvida, consulte o seu médico e não inicie nenhum tipo de tratamento caseiro ou farmaceutico em casa sem o concentimento do mesmo.
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